Pular para o conteúdo principal

Restaurante Cais da Villa

Vila Real

 

O cais mais chique 'da' Vila...Real. 

Depois de 4 anos morando aqui, sempre tinha ouvido falar sobre esse restaurante, entretanto, a vida de estudante não permitia o investimento financeiro aos comes e bebes do estabelecimento. 

Sim, Vila Real é movida pela Universidade. São mais de 7.000 novos alunos que chegam anualmente para estudarem aqui. Durante a pandemia, virou uma cidade fantasma. Sem praxes e festas acadêmicas, sem agito, sem nada. 

Todavia, eu tenho que admitir, os universitários sacodem tudo e levantam a poeira. Portanto, o público-alvo do Cais da Villa não é voltado para eles.

É realmente um restaurante caro para o interior do Norte de Portugal. Talvez se estivesse em uma cidade mais cosmopolita e turística como Lisboa, Porto, Coimbra ... daria para entender, mas em VR? 

Enfim, eu fui!

O Cais da Villa está situado na estação ferroviária, em um antigo edifício histórico com mais de 100 anos: "Neste espaço de ambiente informal funciona o restaurante à carta, o wine bar com serviço de tapas e bifes, a garrafeira e uma esplanada, para os dias com sol. Desde novembro de 2011. Com o Douro e a gastronomia de região transmonstana como referência".

Enfim, eu fui e estou aqui para ser bem honesta em tudo, porque, claro, eu reparei nos mínimos detalhes. A referência que veio à cabeça foi a dos restaurantes de São Paulo, tipo o Café Journal em Moema, sabe? Ou seja, nem tão chique nem tão simples, clima acolhedor, e com muita ênfase vínica. A diferença entre um e outro é que lá, tem o mundo todo dentro de uma senhora adega e a relação custo x benefício é ótima. Aqui não.

(Agora que me dei conta que nunca escrevi sobre o Café Journal enquanto estava no Brasil!).

O restaurante

É bonito. Eles realmente se preocuparam em manter um ambiente formal ocasional. Como há vários eventos periodicamente, o seu interior se adapta facilmente com todos os temas que quiserem abordar, por exemplo: Dia dos Namorados, Halloween, Natal, Ano Novo, workshops, etc. Espia:

 

Vila Real


Vila Real

A diferença entre almoço e jantar...

...está no preço, no cardápio e no empratamento. O jantar, igualmente aos almoços nos feriados e finais de semana, é "a la carte" e os pratos são bem diferentes dos que são servidos nos almoços executivos.

O almoço durante a semana é executivo, ou seja, bem mais simples e inclui entrada, prato principal, sobremesa e água por um único preço. Café e qualquer outra bebida são cobradas à parte. É claro que se você quiser pedir outro prato do cardápio, será cobrado o valor normal. 

Em relação às alergias e intolerâncias alimentares, o menu apresenta ícones que indicam a composição dos pratos, como lactose, glúten, soja e etc. 

A minha experiência foi num almoço em plena sexta-feira e, já pensando em escrevê-la aqui no MG, baixei o menu executivo (que por causa da pandemia você tem acesso através de um QRCode em seu próprio smartphone). São 3 opções e você escolhe uma de cada. Esse menu muda semanalmente, vamos à ele:

  • Entrada: Creme de legumes, Salada mista, Sopa de cenoura e funcho e Cogumelos paris recheados.
  • Prato principal: Peixe: Petinga frita com arroz de tomate, Filete de pescada escalfado em crosta de legumes salteados e cake de batata; ou Carne: Caril de frango com arroz de citrinos, Ragout maronês com puré de batata; ou Vegetariano: Caril de legumes com arroz de citrinos, Ragout de legumes com cake de batata.
  • Sobremesa: Folhado russo, Gratinado de frutas, Fruta laminada.

Eu vou deixar o benefício da dúvida para quando eu voltar para jantar. Assim, quem sabe Revelo o Feiticeiro ao fazê-lo - é uma promessa e venho atualizar esse post - mesmo porque o restaurante está no Guia Michelin com a distinção "El plato Michelin" de 2021 e creio que essa menção não se deve ao almoço executivo, certamente. 

 

Vila Real

Maaaassss, por enquanto, vamos aos pratos:

Vila Real


Vila Real


Vila Real


Vila Real


Vila Real


Vila Real

Quebrando o Feitiço:

  • Atendimento: Para início de conversa, estávamos em 5 pessoas. Só que uma delas se atrasou e enquanto não chegava, a única coisa a ser servida foi água. Até perguntamos se, enquanto esperávamos, não poderia vir o couvert. A resposta: logo traremos... e não trouxe! Só fomos servidos do couvert quando a pessoa chegou 20 minutos depois! Durante esse tempo, olhávamos para os funcionários e fomos completamente esquecidos. Apenas molhando o bico com água. Achei um descaso. Só por isso, não gostei. Um ou outro ali até se esforçou durante a refeição, mas com o gabarito e a menção do bonequinho do pneu, o atendimento deveria ser bem melhor.
  • Tempo de espera: Não teve, sentamos assim que chegamos. Para comer o couvert tivemos que esperar. Entre o couvert e as entradas, demorou mais uns 15 minutos. Depois parei de contar o tempo. Era um aniversário e não queria me estressar.
  • Comida: Quero dividir em 4 partes do menu executivo, pois eu provei todos os pratos para exprimir a própria opinião:
    1. O couvert consistia em: pães típicos transmontanos, um potinho de azeitonas e dois de azeite (a pergunta que não quer calar: isso não poderia ter sido servido antes?). 
    2. Entrada: Sopa de cenoura e funcho: um creme batido, nada mais do que isso. Bom, mas nada de arrancar suspiros. Sopa comemos em casa, mas como aqui em Portugal é muito comum tomar sopa às refeições, creio que poderiam "inventar" algo diferente, o que normalmente não se faz em casa (deixo uns exemplos antes de finalizar o post)*; e os Cogumelos Paris recheados: algumas folhinhas verdes entre 2 cogumelos e um molhinho de ervas. Honestamente, não sei como conseguiram rechear 2 cogumelos daquele tamanho, talvez com uma pinça (ai, Roberta, que exagero!), não é não, há cogumelos maiores no mercado, e eu sei porque eu também faço cogumelos recheados em casa. Estava bom, mas saborearíamos melhor se fossem maiores!
    3. Prato principal: fiquei curiosa para saber como era o caril de frango, porque usamos muito esse condimento na cozinha de casa, entretanto como não gosto de osso e o prato não vinha com peito, optei pela opção vegetariana (sou fresca sim, e daí?). O frango que foi pedido por outra pessoa consistia em asa, coxa (e acho que uma sobrecoxa), entretanto o aspecto não me agradou, porque parecia anêmico (ainda mais que o molho de caril é amarelado então, não se comia com os olhos). Já o meu prato de legumes com o mesmo molho, mais parecia uma sopa, muito líquido com pedaços de curgete (abobrinha) e berinjela. O citrinos do arroz nem conseguimos sentir porque a picância do caril sobressaía em demasiado. Errei no pedido! O ragout maronês estava mais para acompanhamento de uma massa ou arroz do que para o purê de batata. Tudo muito "molhado", se é que me entende, pois quando terminaram, ainda havia o molho da carne no prato. O sabor estava bom, mas faltou alguma coisa para dar aquele "tchans" (se é que me entende)². O filé de pescada, na minha opinião, foi o que se sobressaiu entre todos os nossos pedidos. Leve, bem temperado, a cake de batata era crocante e a crosta de legumes deu o "tchans" no prato - só não entendi aquela espuminha... (e essa foi a escolha da amiga atrasada... risos!).
    4. Sobremesa: 3 de nós pediram o folhado russo: pensa num bolo de massa folhada com recheio de creme amarelinho, conhecido como creme russo, que vai gelatina para ficar uma consistência mais firme (no Brasil seria o doce conhecido como 1000 folhas). Sinceramente? O empratamento estava bem apresentado, realmente se comia com os olhos (o que cria uma certa expectativa), mas o sabor, sem gracinha! Pedi o gratinado de frutas. Eu levei a sobremesa à boca com o maior cuidado achando que estivesse quente, afinal, dizia gratinado... mas, não. Foi servido em temperatura ambiente e por cima do gratinado, um tipo granola ou muesli. Creio que se estivesse "quente" seria melhor saboreado. Por falta de opção para quem é intolerante à lactose, a pessoa não teve escolha a não ser pedir a fruta laminada. O ananás (abacaxi para os "Zucas") estava doce, mas, creio que por uma questão de apresentação, eliminaram o miolo (a parte que a pessoa mais gostava).     
  • Ambiente: é bonito, bem decorado e intimista. 
  • Reserva: somente com reserva por causa da pandemia.
  • Relação custo x benefício: Honestamente: mais ou menos, mais para menos do que para mais, pois de tanto falarem sobre o restaurante, a realidade não correspondeu com a expectativa. O menu pode ser executivo, mas faça jus ao peso que o nome Cais da Villa carrega. Deixou a desejar na apresentação, no sabor e no atendimento. Almoço executivo: € 12,50. Geralmente em outros locais em VR, no mesmo esquema de entrada, prato principal e sobremesa, fica por volta dos € 8 com o vinho da casa, água e café. O copo de vinho € 2,50, não bebemos porque nossos amigos são produtores e levaram sua última criação, mas é só para ter uma ideia do valor tanto para branco, tinto ou rosé. O café € 1,50. Essa brincadeira sairia € 33 para 2 pessoas, se tivéssemos bebido o copo de vinho da casa. Num jantar normal, seria, no mínimo, uns € 40 por pessoa, dependendo do prato e da bebida, entretanto, como disse anteriormente, darei o benefício da dúvida indo jantar e mudar de opinião.  
  • Estacionamento: no próprio local.

* Sugestões para sopas/cremes:

De pepino, de aveia, de batata doce, de milho, beterraba (há quem não goste, mas a cor é linda! Eu adoro!!), aspargos com queijo de cabra, Sopa thai de camarão, Sopa de lentilha com limão, Creme de mandioca com cream cheese, de cogumelos, de alho francês (alho poró), de cebola gratinada, de grão de bico...  


Olha, essa foi a minha opinião e experiência da 1ª vez no estabelecimento. Tenho conhecidos que disseram que tudo estava delicioso, impecável. Se você for um um cliente do Cais da Villa, deixe seu comentário, por favor, e descreva como foi a sua experiência.
 
O Cais da Villa fica à Rua Monsenhor Jerónimo do Amaral, 6 (Estação de Comboios Vila Real - lado direito) - Vila Real, Portugal. Telefones: (+351) 259 351 209 e 960 377 268.
 
Até breve!!

Fontes: Guia Michelin e Cais da Villa.

Comentários

Popular Posts

É Beef Wellington, Boeuf en Croute ou Steig Wellington?

A cultura gastronômica do bife mais famoso Esses dias eu, sem querer, vi um vídeo do chef francês Claude Troisgros no qual ele ensinava um adolescente a fazer o Bife Wellington. Claro que eu assisti o passo a passo todo e o meu apetite abriu na hora! Mas uma curiosidade surgiu: por que esse prato recebe o nome de Wellington? Quem foi Wellington? O que ele fez? É uma figura importante? E lá fui eu matar a minha curiosidade. Origem do prato Arthur Wellesley, primeiro duque de Wellington Para início de conversa, ou leitura, a origem do prato é incerta e não se sabe se é francesa, inglesa ou irlandesa. P ude encontrar um melhor aprofundamento informativo em The Food Timeline , além de receitas datadas em ordem cronológica através de uma linha do tempo e várias versões que recebem o mesmo nome. Tudo indica que existe uma contenção histórica a respeito da origem do Bife Wellington, entretanto, os historiadores apontam que o nome foi dado em homenagem a Arthur Wellesley, primeiro duque de We

Você sabe por que o Crepe recebeu o nome de Suzette?

Curiosidades da cultura gastronômica Uma das coisas que mais atiça a minha curiosidade é saber porque os pratos recebem nomes próprios. É muito comum ver ruas com nomes de pessoas que fizeram diferença e foram importantes para a cidade, mas na gastronomia muitos dos "batismos" não são por causa do chef que inventou tal prato e muito se deve à situação ou momento que foi criado. Esse delicioso crepe aponta algumas versões, entretanto todas são interessantes.  Primeiro de tudo: o que é Crêpe Suzette? É uma sobremesa. Considerada uma panqueca bem leve e fininha que é servida dobrada em um molho de laranja, limão (alguns colocam), açúcar e manteiga com licor de laranja ou conhaque e flambada à mesa. A receita original usa o Licor de Curaçao (de laranja amarga) e, posteriormente, o licor Grand Marnier foi adotado à receita que também é um licor de laranja feito de conhaque Cognac. Origem incerta... Versão 1:  Tudo indica que foi em 1896, no Café de Paris em Monte Carlo, pelo chef